quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Milhões de milhares

Milhões de milhares. Bilhões de humanos aqui e agora. Milhões à sombra do desemprego. Milhões de famintos no dia de hoje. Milhões no inferno da violência doméstica. Milhões de aidéticos. Milhões no vale da depressão. Milhares morrendo de câncer na crueza do agora. Milhões se afogando prazerosamente nas drogas e no álcool. Milhares de abortos e vidas não vividas. Milhares de suicídios. Milhares de homicídios. Milhões nas mãos de milhares e miséria nas mãos de bilhões. Tudo tão comum e nada mais nos impressiona. Os números e a matemática prostituíram nosso sentidos e nos tornamos doutores e mestres na arte da insensibilidade. Enquanto isso, fingimos que tudo isso é normal.



nEle, em quem vivo e dissolvo meu eu,
Oppositer

domingo, 1 de dezembro de 2013

Volta para casa!

Perdoem-se o disparate. Quero pessoas de alma, pois a vida é curta e paulatinamente rara. Deus me livre das desalmadas. Humanos sem humanidade. Numa selva de pedra todo fluído da alma se faz escasso. Artificialidade é o nosso lema e bordão. Quero explodir as grades. Contemplar a chuva serôdia, o cheiro de terra molhada, a lua que reluz em timidez e sol que se oculta no crepúsculo solitário. Rever meus amigos e abraçar meus inimigos. Perder-se para encontrar a si mesmo. Abrir mão de pecados, caprichos da ilusão, sórdidos desejos e vontades asquerosas a fim de que o profeta volte a profetizar, o poeta a escrever e a alma torne a cantar.


Oppositer

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Seguir-te



"Por muito tempo meu espírito aprisionado permaneceu nos grilhões das trevas e do pecado.
Até que de teu olhar veio o raio vivificador e despertei do meu calabouço em pleno fulgor.
Os grilhões se romperam, meu espírito foi liberto.
Levantei-me e passei a seguir-te de perto." 

John Wesley (1703 -1791)

sábado, 2 de março de 2013

Adeus, povo de Decápolis!


               Eis aqui Cícero, o jovem velho, eterno peregrino à procura do lar, filho de humanos ordinários e órfão dos privilégios da vida. Após uma vida vivida no conforto do seu desconforto, lamentando os males que afligem todo indivíduo debaixo do sol, Cícero caiu em si e percebeu que a hora de chegar havia partido. Fitando os olhos na velha cidade, bradou: Adeus povo de Decápolis!
                Toda e qualquer despedida não é, de modo algum, um momento agradável. As memórias vêm à tona, atropelando uma sobre a outra, de modo a remontar lugares, cenários, cheiros e sentimentos. Mas não há mais tempo para o jovem Cícero. As lembranças surgem como facas de dois gumes que cortam a dilaceram as entranhas da alma nua.  Ao contemplar os verdes pastos e colinas distantes, Cícero encontrou-se consigo mesmo; em cada rua e em cada esquina Cícero deixou um pouco de si; em cada luar e em cada noite em claro, o notívago compôs canções que ouvidos jamais ouviram; aos colegas, o coração externava a gratidão de comporem a platéia em torno ao solitário púlpito da existência; aos amores, a alma, tímida e verdadeira, relembrava os dias de paixão que se consumiram como os ramos da sarça ardente. Não foram poucos os pedaços da alma que Cícero espalhou por Decápolis, e muitos eram os filhos dos seus aborrecimentos que bailavam desnudos ao som dos bramidos dos dias mal vividos e do bem não realizado, que perambulavam sorrateiramente no sempiterno ecoar dos seus pesares.   
                Entretanto, não lhe é tarefa símplice desfazer de suas mazelas sem ao menos sentir as dores oriundas dos cismas de uma despedida. Não é mera roupa que se troca no dia que o vento gélido sopra, mas é despir-se da própria pele arrancando-a com as mãos. De muito bom grado levaria tudo e todos para a próxima parada, mas como fazê-lo? Cícero, então, relembra os contos proferidos por um velho andarilho que passara por Decápolis afirmando:

A vida é como é um barco. Apesar de projetado para navegar, o barco encontra alento e segurança atracado nos portos e nas encostas; entretanto, o barco não fora projetado para permanecer no porto, senão para zarpar e enfrentar os bravos mares e os ventos impetuosos a fim de desbravar novos horizontes. Na vida, encontram-se muitos portos seguros, a saber, a família, os amigos e os amores, tendo cada um deles a sua excelsa função, porém nenhum deles pode impedir o barco de partir. Por isso, navegue, filho meu! Enfrente as altas vagas e alcance o fim do arco-íris antes que a ferrugem e a velhice te corroam os ossos e a melíflua alegria de possuir fôlego de vida. Navegar é preciso, porquanto navegar é viver.


                O trem se aproxima trazendo consigo estranhos jamais vistos, afinal, a vida é um grande castelo de destinos que se cruzam.  O apito solitário em meio à tarde de inverno anuncia o fim de uma etapa. Despindo-se do passado, Cícero adentra o trem e parte para nunca mais. A separação se confunde com o encontro, assim como o anoitecer se funde à luz da aurora. Cícero, fitando os olhos em Decápolis, falou em alta voz: se, por ventura, nos esbarrarmos  outra vez nas esquinas da vida ou da memória, conversaremos de novo e ouviremos a velha canção que diz que a vida é repleta de despedidas.
 Adeus, povo de Decápolis! 






Oppositer

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Nível Raso


Vive-se num tempo em que as bem aventuranças não passam de mero adereço decorativo. Procura-se novas "unções", novos "profetas" e formas de barganhar com Deus. É um medievalismo pós-moderno; obnubilação de massas e mentes sem paz e sem Cristo. O cenário é desanimador, entretanto, creio que ainda há aqueles que não se dobraram aos famigerados modismos, aqueles que ainda veem em Deus um Pai; aqueles que, pouco a pouco, livram-se de uma natureza ensimesmada e servem verdadeiramente ao próximo, seja crente ou pagão, de direita ou de esquerda, homo ou hetero, bandido ou prostituta, grego ou troiano, com graça e verdade; ainda há aqueles que entoam hinos que, talvez não estejam no top 10 das paradas gospel, mas por sua sinceridade e singeleza de coração, numa maneira ainda que estabanada mas genuína ou falha e incompleta mas em constante regeneração, conseguem fazer o Pai sorrir, pois afinal entenderam o significado de "a minha graça te basta". É tempo de voltar e redescobrir que maior é o que serve do que aquele que é servido; que é infinitamente melhor o dar do que o receber; e é maior aquele se torna menor. Que o Eterno nos livre desse cristianismo raso, fraco e mesquinho para que possamos viver o escândalo da Graça em novidade de vida.



Oppositer

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Discurso de formatura


Aos Pais;
                Pais e mães aqui presentes; ora, é chegado o grande momento, o dia que marca o fim e também o início de uma nova jornada. Diante disso, gostaria que das minhas palavras fossem feitas palavras de todos os formandos presentes aqui hoje. Que cada pai e cada mãe ouvissem em minha voz a voz de seu filho.
                Não nos é tarefa símplice discorrer sobre tão grande amor que nós, filhos e filhas, temos por vocês. Ao longo da vida, muitos sentimentos permeiam e transpassam nossos corações, entretanto nenhum desses sentimentos é de se comparar ao amor que por vocês nos foi dado. Agradecidos pelos ensinamentos, pelas repreensões, pelos conselhos, pelas admoestações, por todas as vezes que choramos e vocês lá estavam para nos amparar e consolar em meio à angústia, por nos ensinar a andar, correr, saltar, falar, economizar a água, jogar o lixo no lixo, respeitar um “não”, pedir desculpas e a perdoar. Quantas vezes vocês deixaram de realizar seus próprios sonhos para que os nossos fossem realizados e quantas vezes vocês choraram conosco, sofreram conosco, sorriram por nossas alegrias, torceram por nós e orgulharam-se de nossas conquistas como se fossem suas próprias.
                O tempo passou e é claro que passaria; há muito já não somos mais a mesma criança que corria pela casa, usava suas roupas e esperava atrás da porta para lhes assustar. Olhem só, o tempo  passou porquanto a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados, antes segue o seu caminho de acordo com a vontade do Autor da Vida e da Existência. Já não cremos mais nos super-heróis da TV, hoje, mais do que nunca, sabemos que os nossos maiores heróis sempre estiveram ao nosso lado e são vocês, pais, os merecedores da nossa gratidão.
                A todos vocês, quer sejam biológicos ou adotivos, ausentes ou presentes, externamos nossa eterna honra e carinho. A vocês que nos conhecem como ninguém, levantamos nosso brado de gratidão.
Amamos vocês!

Oppositer
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Ao meu amigo...

Queria ser sincero em te falar
que tudo é para sempre;
queria ter razões para acreditar
que o destino navega a favor da gente
grande amigo que se foi 
é tão difícil aceitar
às vezes é tudo tão injusto
mas é preciso caminhar;
ficam as velhas conversas
papos felizes sobre a vida
planos futuros e descobertas
e o fato em contra partida;

grande amigo eu bem sei
que eu preciso aceitar
tudo passa e hoje eu sei
que é preciso continuar;

é tudo assim..tudo vai entre começo e fim
o mundo cai...você foi tão jovem
tantos planos e decisões para tomar
e por mais que me expliquem e me provem
eu ainda não consigo acreditar

meu grande amigo, nunca vou esquecer
ainda vive em meu pensamento
boas conversas entre você e eu
tudo passa meu amigo;


Esteja em paz onde estiver
Você sempre estará comigo
em minha paz e no que vier
pega teu skate e vá em paz.

Péris Santos